Philautia

 Eu não tenho culpa de não ter sido amada. Todos ao meu redor viam o quanto eu me doava. Todos ao meu redor sabiam que eu fazia muito para estar presente nada vida dele. Ele sabia que eu me doava demais. 

E ele sabia que eu fazia aquilo por ele. Porque amava ele. Ele sabia que meu esforço era por amor a ele. Mesmo não me sentindo amada. E o que ele não entendia era que é preciso amar e fazer sentir-se amado. Sinto que na visão dele o que ele dava era suficiente porque tinha esforço, mas, que nitidamente não era um esforço por algo que ele sabia que eu gostaria ou me faria me sentir bem, mas sim, sobre o que ele queria e achava suficiente dar. 

Mas amor não funciona assim. 

Amor tem uma parte do doar-se que significa estar e ser pelo outro. Ser afeto, ser escuta, ser presença, ser apoio. Significa pensar no que o outro gosta e fazer aquilo porque sabe que vai realizar o outro. Significa pensar no que o outro precisa porque você quer bem estar e completude pelo outro. 

Mas amar é dificil. 

Nem todo amor é agapé. E o amor de homem e mulher não o é normalmente. É mais comum o Eros. Mas não fui querida no Eros. Não fui querida no filia, nem no storge, nem mania, nem pagma. 

Eu me via como alguém útil. Útil a satisfação da curiosidade sexual. Útil a resposta da presença de alguém em cerimônias sociais. Útil.

Essa era a minha razão. Eu tinha serventia.

Mas amor não precisa ver utilidade no outro. Não precisa de função. 

Nesse desengano que vivi vejo que fui muito pro outro. E pouco pra mim. Porque me faltou amor por mim. Pilautia. 

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