Levanta, sacode a poeira, dá volta por cima (de si mesmo)

É engraçado ver alguém que você ama/amou sendo o amor de outra pessoa. Eu sabidamente sou uma coisa que remói histórias; dedico-me as dores como alguém que nutre amores. Isso não quer dizer que eu corra atrás, haja de modo inconformado, lute bastante por meus ex's relacionamentos. Também não indica que eu trabalhe pra prejudicar novos afetos dos meus antigos amores, que atrapalhe os vínculos que eles desenvolvem. Todavia, isso quer dizer muita coisa sobre mim.

Logo que terminamos um relacionamento levamos um tempo pra nos recompor. É normal. Afinal de contas o luto não se dá apenas no morrer, mas sim na perda; imaginar não ouvir mais o eu te amo do outro, sentir falta da ligação, do abraço, da discussão apenas quer dizer que você está vivo e tem sentimentos.

No entanto eu sempre percebi que esse processo era um tanto quanto lento comigo. A cada fim de relacionamento eu me arrastava por dias, meses, semanas e por vezes até anos. Me renegava ao posto de tristeza e fazia questão de sentir muito, não conhecer outros alguém's. Quando me dava este direito as pessoas continuavam sem se aproximar e, isso, junto ao peso de uma baixa estima pessoal me faziam sofrer ainda mais.

Eu perdia peso, sono e, por fim, alegria no viver. Isso não ocorreu uma vez; Todos os afetos que tive me instigaram isso. Uns mais e outros menos, mas, a sensação foi comum a todos.

Você pode se perguntar: "ah, mas você não está hipervalorizando sua dor? " Tenho certeza que sim. Bingo!! Ai está o ponto principal dessa conversa.

Todo amor que vêm e vai amarga nossa alma por um tempo. As vezes mais e as vezes menos. Digo todo amor porque temos a chance de amar muitas vezes sim! E quando sentimento de uma das partes diz que a mais pesar que felicidade o rompimento é inevitável e só nos sobra chorar as pitangas mesmo.

Mas o que há de novo nessa meu papo? Talvez nada, porém, minha pretensão com esse texto é esclarecer o que se passa comigo nesses momentos. Abrir minha alma pra que eu veja à luz o que eu faço comigo mesma.

Não sou daquelas que vigia insistentemente as redes sociais dos ex's, não fico mantando indiretas nem fazendo perfis fake, não mando mensagens pedindo pra voltar nem sucumbo ao primeiro pedido por um flash back.

Eu apenas paro. Rompo de modo a tentar ser o mais civilizada e amistosa possível. Só que, de alguma maneira, isso me acaba, porque minha racionalidade é tão grande que mesmo quando tudo acaba após meses eu ainda me sinto seca e rejeitada pelo outro. Ainda tenho lapsos com bons e maus sentimentos. Ainda faço questão de ficar reavivando na minha mente episódios que certamente me martirizarão.

Acho que isso tem um pouco a ver com quem eu sou. Meu semblante e tudo que quem me vê diz que sou sempre remete a força. É belo, mas também é um fardo. Dói ser composta e "fria".

Lembro que no meu primeiro relacionamento eu sofri meses pelo termino. Afinal era meu primeiro amor. Minha primeira paixão. 2 anos de dedicação e labilidade emocional pueril que à época me eram o auge. Quando soube que meu ex estava com outra pessoa que eu julgava ser mais bonita, inteligente e interessante que eu, o sofrimento chegou ápice.

Mas ninguém soube disso. Ninguém nem ao menos suspeitou.

Isso levou um tempo aproximado de 1 ano.

Nesse momento escrevo isso rindo, porque, mal imaginava eu que isso ocorreria mais vezes no futuro. Lembro que quando pensava em me relacionar novamente com alguém eu já construía muros que imaginava impor de modo a não me ferir novamente.

E eu edifiquei esses muros, me relacionei, e novamente sofri (risos). Dessa vez com o agravante de me martirizar por estar sofrendo novamente, me chamando de idiota e dizendo que eu já deveria ter me acostumado.

Essa relação de perdas foi se repetindo e eu notei uma coisa. Eu vou ter o coração partido muitas vezes. Mas ele sempre estará pronto pra ser partido novamente. Amar e se entregar é isso. Reconhecer que há possibilidade de sofrer e que tem-se esse direito. 

Percebi que os muros eram perda de tempo. Nada mais eram que alamedas de um labirinto em que eu mesma me perdia e, em algumas situações feria em muito meus companheiros e amigos próximos. Ai abandonei-os de vez.

Atualmente estou mais uma vez sofrendo. Dessa vez uma amargura um pouco mais longa que as passadas. Porém, esperançosa de que a dor passe. Agora tenho outros pontos de apoio, levei algumas quedas no caminho, mas, a vida é isso.

E assim, eu deixo meu melhor conselho. Ame pronto pra viver pelo outro seus melhores momentos, sem se resguardar. Por que, o que não pode faltar a vida é viver.

No mais, não posso dizer que aprendi muito. Apenas tenho algumas poucas experiências, mas, meu próximo passo é me fazer de um copo meio cheio, meio vazio. Nem sem expectativas, nem sem conhecimentos, porém, com menos cobranças e mais espaço para receber o que o outro puder e quiser me dar.

(:

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