EU
Egos, no latim, significa eu.
Pra mim, essa é uma das coisas mais difíceis de lidar.
Meu eu nunca me foi uma incógnita, porém, me dar ao luxo ou mesmo ao prazer de me desnudar é custoso. Criei esse blog justamente para isso. Expor o que há em mim de forma prática para que eu possa me julgar.
Porque começo falando de ego?
Simples, eu sei que sou egóica. Admiro muito a virtude da humildade, mas, em meu íntimo é difícil eu não me enobrecer por meus feitos. Difícil não querer reconhecimento de terceiros. Difícil não me envaidecer.
Fico pensando também o quanto meu parâmetro de avaliação para o orgulho dos meus feitos pode variar. Há dias em que eu me cobra de sobremaneira para que minhas atitudes e feitos sejam perfeitos. Nesses dias alcançar uma meta completa é reconfortante, mas, saber que a exigência me fez perder o cumprimento de outras 3 causa um certo embrulho no estômago.
Aí chegam os dias em que os parâmetros de qualidade diminuem e a quantidade parece importar mais. Então, depois de listar tudo que preciso fazer, apenas FAÇO. O prazer de riscar na lista os objetivos alcançados e imesurável, mas, em determinadas ocasiões a cobrança da pressa pelo fazer chega me trazendo a necessidade de repetir a tarefa.
Em ambas as ocasiões estou sempre me auto agradecendo, o que não acho que seja um pecado propriamente. Mas, quando externo a necessidade do reconhecimento para o outro isso gera um grande desconforto. Envieso que isso tenha a ver com a vaidade, a qual fisicamente sempre me achei despretensiosa, mas, intelectualmente sempre me ative muito.
Desde jovem fui elogiada por estudar, escrever, me esforçar para alcançar bons resultados acadêmicos. Acontece que , creio eu, eu vivia em ambientes de cobrança mediana, nos quais, sejamos francos, não é difícil se destacar.
A partir do momento que cheguei em um ambiente com parâmetros de qualidade, digamos, mais acurados, me senti ameaçada. Aqui é que cabe a reflexão sobre o ego e a vaidade. Estamos tão habituados com o louvor que quando este exige dedicação expressiva para ser realmente justo, nós nós sentimos injustiçados. É como se algo que nos fosse de direito - o reconhecimento - nos fosse roubado. Sentimos inveja de quem o obtém e, até mesmo desdenhamos das conquistas do outro.
Essa injustiça não é verdade. Quanto mais tempo passamos formulando uma plenária que confirme que merecemos aquela sensação de bajulação, mais tempo de evolução perdemos e, mais nós nos distanciamos de alcançar o objetivo buscado.
Outro âmbito do ego é quando paramos de fazer algo pela sensação de satisfação pessoal. Quando construímos a expectativa de reconhecimento pelo outro e, por isso, corremos atrás de uma meta.
Isso é ainda mais doentio porque transfere a necessidade de oblação pra outro alguém que nada tem a ver com seus sentimentos.
Mas o buraco pode ainda ficar mais embaixo. Quando deixamos de nós relacionar ou interagir com outras pessoas, seja por meio de amizade ou amorosamente, porque sempre sentimos que o outro é mais do que nós.
Você pode pensar: mas isso é justamente o contrário de ser egóico. É se sentir inferiorizado, menos, diminuído...Contudo aqui cabe o reconhecimento de que: só se sente inferiorizado quem de alguma forma criou o parâmetro de o status do outro é maior que o seu. Sendo que internamente não admitimos isso. Sempre dizemos para nós mesmos que estamos de igual para igual com o outro. Por que no nosso íntimo nos nos creditamos mais. Mais belos, espertos ou sagazes. Por isso tantas vezes somos ludibriados, pela falta de bom senso.
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