Quanto tempo se leva pra morrer?

 Você tem medo de morrer? Eu não. E explico: A morte é rápida e lenta. Dolorosa ou indolor, quando se morre, se morre. 

Quando se olha a morte pela perspectiva da maioria da população, ela é a inimiga. Ela rouba a alegria, o ar, a boa companhia, as sensações. A vida. 

Por outro lado, se atenha a pensar numa parcela menor. Aquela que padece em direção a terminalidade. Aquelas pessoas com a tristeza de lidar com um diagnóstico de irremediáveis males que lhes matarão, rápida ou lentamente.

Ai podemos ter outra perspectiva: Morrer leva tempo. Mas parar de viver pode ser rápido, ou mesmo, automático. 

Carregar o fardo de sua terminalidade pode ser leve ou pesado. Depende de como você pode conduzir isso. Quando se tem uma doença progressivamente debilitante, sem opção, você pode para de viver e passar a esperar a morte. As vezes mais rápido e as vezes mais devagar.

Isso é claro, depende de vários fatores. Aqui eu quero elucidar dois muito importantes: a família e os amigos.

É comum nos filmes em que uma pessoa recebe um triste diagnóstico ela ser valorizada pela família e, todos decidirem juntos sairem em magníficas viagens buscando a realização e o melhor aproveitamento da vida do moribundo.

*Interessante destacar também o grande número de produções em que ao fim o protagonista descobre que não era moribundo e que na verdade pode ter uma longa e feliz vida, coisa que infelizmente não costuma ocorrer na vida real.

Você conhece alguém que fez isso na vida real?

Quando trato com essas histórias sempre me pergunto, como algumas pessoas conseguem ter uma mente tão inabalável para mesmo nessa situação, ter leveza, para continuar vivendo até o dia de seu morrer? 

A verdade é que quando se chega num estado que se conhece sua terminalidade muita gente na verdade entra em depressão. Ao invés de se valorizar mais as viagens, o caminhar, o escutar música, se entra num continuo estado de paralisação, em que o doente mais quer morrer e reclamar que viver seus últimos dias. 

 Quando a depressão não é um fato pelo simples exaltar da fragilidade de sua vida vem outra situação: a tristeza de lidar com a perda da saúde, da autonomia, dos prazeres simples incluídos na vida cotidiana que não são reconhecidos e valorizados habitualmente.  A terminalidade é ligada a própria degradação física que limita o paciente e, diferente dos filmes que romantizam essa situação colocando amigos e família hipervalorizando o doente, não é isso que costuma acontecer.

Grande parte do círculo de proximidade do paciente tratá-o com descaso, ou, faz com que ele se sinta mais um fardo do que alguém com motivação pra bem viver seus últimos dias. As vezes em suas orações silenciosas as pessoas pedem para que Deus adiante sua partida. 

Os amigos com que se saia, primariamente, vão visitar, depois passam a manter contato por mensagens e no fim, se justificam por esquecer do outro dizendo: "a minha vida continua"; os familiares passam a valorizar mais o trabalho de manutenção da vida do outro por o desgaste e cansaço físico que este os aflige do que pela permanência do outro. Quando não, exaltam os gastos que isso lhes causa e trazem a percepção de que o enfermo lhe exaure tudo de bom que é possível possuir. 

Quando enfim o paciente parte, as lamúrias e contatos iniciam, a exposição de fotografias para provar que o amavam e as homenagens em redes sociais. 

Poupemo-nos das hipocrisias atuais. Se, ao invés de voltarmos nossas vidas a tantas aparências vivessêmos...se ao invés de refutar tanto a existência da morte conversássemos sobre ela como algo normal e irremediável...se ao invés de achar que a vida do outro se torna um fardo quando depende de nós, nós valorizassemos cada momento a mais com estes...

O que seria de nós? 


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