Orem por mim
Ter medo da morte nunca foi meu forte. Acho que por isso nunca fui tentada com temores q me aproximassem do morrer. É fato que eu nunca fui a limiares e extremos, mas, experimentei muitas coisas que pra muitos vão além do permitido, principalmente para uma mulher.
Se não se tem medo de morrer, do que se tem medo, então?
Ah, de um universo de coisas: de cair, de morcego, de perder os entes queridos, de não viver...
Nesse último medo me atenho com força. Pois, o não viver é aquele medo que causa descontrole. Você pode ficar em dúvida se a diferença entre ter medo de morrer e ter medo de não viver, mas eu explico rapidamente.
Existem 2 moscas, ambas rodeiam uma lata de lixo que recebe sempre o mesmo conteúdo; restos de feijão. A mosca n° 1 diz que para ela aquele sabor é satisfatório e pretende passar o resto da vida naquele local desfrutando da certeza de que sempre haverá feijão para suas refeições e é grata por isso. A mosca n° não quer saber de feijão. Ela sabe que existem outros sabores, quer experimentar eles e está cansada do reduto conhecido da lixeira. O que acontece? Ela decide alçar voos mais distantes.
Logo a mosca n° 1 lista os contras e riscos de se afastar da lixeira. Porém, para mosca n° 2 todo risco vale a pena, pois, mesmo que seja por um milésimo de segundo, ela quer saber quais os outros gostos que a vida pode dar.
Para muitos a parábola pode ser péssima, principalmente por conta dos protagonistas, mas, o importante aqui é destacar algo diferente. O desejo de.sair do que lhe é convencional.
Não há pecado em gostar do habitual, da segurança e do que alguns consideram monótono. É interessante destacar que isso é algo que se relaciona com o temperamento. Não faz da pessoa que assim prefere viver menos virtuosa ou interessante, e posso até mesmo dizer que todas as pessoas tem um pouco disso. Apenas precisamos saber em que âmbito preferimos a estabilidade e o cotidiano ao prazer das ousadias insanas. Isso pode se dar no trabalho, nos estudos, na família, nos amores, etc.
Só que o tipo de mosca/pessoa número 2, por ter tanto desejo de conhecer novos sabores teme mais a ideia de ficar presa ao feijão que a ideia de arriscar a própria vida. É isso que torna essas pessoas conhecidas como loucas, inapropriadas ou outros nomes tantos.
Não posso dizer que sou uma mosca/ pessoa n° 2, mas, posso dizer com convicção que me arrepia muito mais pensar que tenho que viver uma vida diferente daquela que eu sonho ou posso almejar sem poder fazer nada para mudar ela.
Se seu questionamento é sobre se isso é possível, eu lhe respondo: é.
É sim de modo triste e simples. Quando você adoece de um modo que não consegue mais segurar as próprias escolhas pois perde sua autonomia, sua capacidade de pensamento, movimento, independência. Quando seu sistema nervoso é corroído de tal modo que você se acaba e tem que ver os outros optando por você e simplesmente se contentar em esperar a morte chegar, sem poder fazer ela chegar mais rápido, pois, não tem coragem de magoar tanto assim seu tão querido Pai.
Nesse limiar que me encontro penso sozinha os tantos porquês. Sinto ódio porque tenho que me conformar em ver meus amigos correndo atrás de seus sonhos sendo que eu que sempre fui considerada guerreira, capaz e corajosa tenho que abandonar coisas pelas quais lutei pra conquistar pois meu estado de saúde não permite mais que eu as execute.
Eu não sei se conseguem imaginar como isso dói.
Eu não sei nem o que fazer com meus sentimentos.
Eu só sei que preciso de orações.
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