Afetividade e compaixão

 As vezes eu compareço aqui pra rir de mim mesma. dos julgamentos e suposições sociais que faço que são cínicas a ponto de me despertar gargalhadas. 

Eu passo uma imagem de força e empoderamento que não condiz com o que eu sinto em 70% das ocasiões. Mas isso não quer dizer que sou dissimulada. Eu apenas não gosto muito do amparo que as pessoas oferecem no momento de fragilidade ao seu próximo. Me ecoa muito a sensação de dó que não condiz com algo muito empático. 

Eu me permitiria parecer frágil se eu nota-se que a solidariedade que é prestada é verdadeira. Você pode pensar que o problema está contido nas pessoas que me rodeiam, mas eu continuo julgando que não. Embora todos tenham uma boa intenção e índole dentro de si, não se é ensinado a nós a lidar com a dor do outro. Seja ela física, seja ela emocional. 

Basta você evocar uma memória antiga de quando você caia e se machucava na escola. Habitualmente, a primeira reação das demais crianças era gritar: " oh tiaaaa, o 'beltrano' se machucoooou!!"

Agora pense quando você vivenciou um impacto emocional muito grande. A perca de um ente querido, um término de relacionamento, a notícia de um adoecimento...

As pessoas costumam abraçar e dizer que estarão lá independente do que aconteça. Podem também utilizar termos eufeumizadores como "pelo menos", "é assim mesmo", "ele(a) se libertou do sofrimento" , e, em seguida delegar o papel de cuidar dessa ferida a Deus, pois, assim como na situação com a criança, repassar o problema a um ser de força superior liberta-nos de ter que lidar com aquele fardo. 

Você pode pensar: " que amargura a sua. Por acaso quer que os outros sintam sua dor e sofram também?". Porém, não se trata disso. Não sou sadista. 

Eu apenas procuro entender como a isenção do companheirismo foi incutida em nossa sociedade e quando foi que as nossas relações se tornaram tão rasas a ponto do outro achar que falar vai preencher o buraco deixado por uma dor. Sou bem mais a fã daqueles que em silêncio ajudam você a se levantar na queda, participam do seu dia e demonstram se importar de verdade. 

Por isso digo, o problema não é diretamente as pessoas. É como elas são preparadas para vida. Se existe uma dificuldade quase que intransponível para muitos de saber lidar com os próprios sentimentos, o que podemos esperar que seja feito pelo seu próximo? 

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