A dor que dói por antecipação
Eu nunca fui alguém de sonhar com um futuro familiar. Alguém de pensar em filhos, marido...Durante muito tempo só me via só. Num futuro de idealização perfeita eu estaria ao lado de mim mesma, numa casa de praia aproveitando uma noite fresca na beira mar.
Mas, de tempos atrás pra cá comecei a me imaginar com filhas. Via uma "Terezinha" e uma "Helena" me rodeando. Imagina um marido para sorrir e discutir também. Alguém que me acompanhasse num futuro de metas.
A mente e o corpo vivendo um descompasso imenso se uniram a vida pra me decepcionar. Para minha infelicidade descobri um teratoma em meu ovário.
O primeiro pensamento que me veio foi: Por quê?
Se durante minha vida sem sonhos familiares acompanhei minha saúde ginecológica e nunca tive indicativos de uma doença tumoral, porque, logo agora que eu passei a empenhar minha felicidade na conquista de metas que rodeassem essa ideia de família?
Na verdade eu sempre tive a sensação de que não seria capaz de engravidar. Trazia em mim o verdadeiro sentimento de medo de me entregar ao sonho de ser mãe pelo simples fato de crêer que eu não seria capaz de conceber. Isso é um fator importante da minha personalidade (quase sempre que tenho medo de ser incapaz de alcançar algo procuro não me entregar ao vislumbre de possuir aquilo).
Acontece que dessa vez eu estava me permitindo.
Dói por antecipação imaginar a castração de alguns sonhos nossos. Dói porque entregamos preciosas metas e momentos da atualidade a planejamentos e lutas para que o amanhã seja realidade.
Nos últimos tempos porque eu tinha considerado essa meta eu estava muito mais empenhada em construir meu futuro acadêmico em brevidade para chegar a estabilidade financeira o mais rápido possível e assim poder me planejar para uma gravidez.
Eu sei que posso me entregar a providencia divina. Essa é a única saída que tenho. Mas ainda assim dói muito. Todo instante me pego pensando em como a minha vida poderia ser. Penso se não mereço os sonhos que tenho. Penso se sou alguém ruim não compatível com a maternidade. Porém, sei que isso não é um teste ou castigo divino.
No inicio desse ano eu rezei pedindo: Senhor, fortalece a minha fé.
Talvez esse seja apenas mais um desafio pra que eu seja quebrada e edificada novamente como Ele quer que eu seja.
Paz e bem.
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