Banal. Trivial... Mas normal?
Ultimamente tenho visto uma epidemia de doenças voltadas a psique. Nunca antes se ouviu falar de tantos casos de transtornos de ansiedade, depressão, esquizofrenia...
Isso pra mim se trata de uma novidade. A vida frenética que levamos acaba fazendo com que pouco espaço seja considerado como importante para cuidar da saúde mental. Saúde esta que é vista como um eixo desacoplado da saúde física e classificada por muitos como ausência de doenças.
Ai é que tá a raiz do problema. Desde muito antes do meu nascimento as pessoas tinham essa visão. Muita gente questiona ela, mas o ato de questionar é apenas a beirinha da unha encravada e, creiam vocês meus amigos, essa unha dói e tá inflamada pra caramba.
Por traz de tantos problemas da psique existem décadas de ignorância. Muitos anos de preconceito que culminam no estado atual da população; ainda hoje muitos consideram psicoterapia coisa de "doido". Dizem que psicólogos são pagos pra ficarem parados ouvindo outros e que seus trabalhos são moleza!
Não me contento com essas definições, mas, compreendo que quem as usa não faz raiva ou por sentimento de perjorização. Na verdade, a maioria das pessoas que pensa de tal modo está envolta por todo um circuito de fatores que as leva a crer que tratar e discutir saúde mental é apenas uma perda de tempo; que discussões sociais de cunho de saúde são balela.
No entanto, reparem só, eu disse uma maioria e não todos. Por quê? simples, dentro de todo grupo existem divisões. Sobre as perspectivas de desvalorização da saúde mental não seria diferente.
Muitos nunca questionaram se estão bem consigo. Vivem uma vida tão difícil e atribulada que acreditam que tudo é normal. Mesmo quando chegam a situações de esgotamento emocional não se dão ao "luxo" de olhar pra si mesmo com compaixão, pois, "não dispõem desse tempo", sendo tão usurpados por suas atividades cotidianas que perdem seus caracteres humanos, e até mesmo na noção de prazer; alcançam o temido embotamento afetivo.
Mas nessa maré o outro lado também me assusta; as pessoas que tem informação e conhecimento da importância de cuidar da saúde mental. Sim isso mesmo, essas pessoas me atemorizam, e, creio eu, mais do que as que vivem sem informações sobre.
Vocês podem se questionar a razão e antes imaginem inúmeras causas eu explico: existem muitas pessoas com depressão, ansiedade, transtornos de personalidade e afins. Porém, a popularização da informação sobre esses problemas fez com que esses fossem banalizados. Muita gente não procura ajuda porque acha que é normal viver esse tipo de sofrimento psíquico... pior, muita gente realiza autodiagnósticos e se autodenomina depressivo, portador de transtorno de ansiedade, bipolar, etc sem nem saber a totalidade dessas definições; ainda mais, várias pessoas se valem desses "autodiagnósticos" para obter ganhos secundários.
Isso é de uma crueldade imensa.
Me pergunto se quem finge um problema de tamanha magnitude realmente não possui um transtorno psiquiátrico. Talvez a psicologia e a psiquiatria tenham respostas maiores e melhores que as minhas, contudo, ainda não possui conhecimento pra distinguir se isso é real.
Porém, isso não esvainece meu medo de que quem realmente precisa de ajuda fique a mercê de receber atenção de alguém que vive em alguma das situações supracitadas. Por isso, é preciso que se popularize a informação sobre a saúde mental de modo sério e urgente.
"Ora, mas a pouco você não disse que a popularização da informação fez com que ela fosse banalizada e mal interpretada?"
Sim, isso mesmo, eu não retiro o que eu disse. Todavia, peço que leiam de forma mais acurada... me oponho a "infantilização" dos transtornos mentais. Quantas pessoas na atualidade não acreditam que a cada problema ou tristeza que tem estão vivendo uma profunda depressão?
Não funcionamos assim, temos que passar por tristezas. Isso não é nem pra saber valorizar os momentos alegres como dizem os clichês, mas sim, pra termos a maturidade necessária para saber lidar com as dificuldades que chegam à vida de todos.
Isso é necessário para que saibamos quando pedir ajuda e como lidar com nossas fraquezas vencendo nossos narcisismos e egos. Isso é necessário para o nosso amadurecimento.
Mas também temos que saber quando se rompe o limite de nossas dores. Erguer a cabeça e continuar é preciso, mas, em determinado momento, podemos não conseguir se levantar sem o apoio do próximo para nos ajudar a enxergar outras saídas aos nossos martírios diários, ou, até mesmo ressignificar as já existentes.
Sensibilizar sobre quem somos e sobre todas as faces que temos é um processo continuo e nem de longe me classifico capaz de fazer isso com todos. Mas hoje me dei ao trabalho de fazer isso, pois, minhas angústias pessoais as vezes me fazem refletir muito sobre como todo mundo se vê, partindo da perspectiva que eu mesmo as vezes tenho um olhar turvo e pouco complacente comigo.
Pra que não caíamos na armadilha do ganho secundário através da manipulação de doenças é necessários que nos importemos mais conosco e com o outro. Tenhamos mais afeto e carinho. Sejamos mais empáticos.
É isso, sem mais delongas peço do fundo do coração que se amem mais para que não se sintam sensibilizados ao ponto de viver tristes situações como as tais.
beijo e muito obrigada por toda a insistência nesse texto. É só um desagravo.
Comentários
Postar um comentário