TUDO MUDA
É incrível como a gente aos 15 anos é convicto de tudo em que acreditamos. Nossas verdades são máximas e inabaláveis. Defendemos nossas crenças com unhas e dentes e, ainda por cima, tentamos persuadir o outro a crer naquilo que nos é cabível.
Hoje eu tenho 22 anos. Lembro vagamente de algumas das coisas que eu acreditava e defendia aos 15 anos. É certo que muitos dos meus hábitos não mudaram, porém, eu recebi muitas informações e experiências novas e como não é surpresa pra ninguém, elas me transformaram.
Algumas das coisas que eu gostosamente dava Ênfase eram:
1- minha ampla convicção de que não iria casar
2- minha ampla convicção de que não teria filhos
3- minha ampla convicção que não trabalharia com nada na área da saúde
4- o fato de que aos 18 anos eu seria uma pessoa independente financeiramente
(...)
Enfim, algumas coisas dessa lista mudaram ou me surpreenderam enquanto outras continuam iguais, e, esses são só alguns dos fatores que eu lembro enfatizar aos 15.
Porém, o que eu quero trazer aqui é: a vida é fluída...
Isso mesmo, abstrato assim. A gente não sabe o significado de tudo, muito menos o que as coisas se tornarão daqui a alguns anos. Isso não é um privilégio dos 15; pode ocorrer mais cedo, mais tarde, ou (espero eu que sim) inúmeras vezes ao longo da vida.
O que eu quero dizer é: a gente não se conhece. A vida é longa e, a menos que estejamos frente a uma situação não sabemos qual será nossa reação à ela. As vezes, mesmo vivendo a mesma situação mais de uma vez, tomamos atitudes diferentes e é assim mesmo, somos o que o momento pede. Somos o que temos que ser.
Para muitos pode aparentar que estou fazendo uma apologia ao não planejamento, ao não sonhar, ao não idealizar metas. No entanto, nem de longe sugiro isso a ninguém. Temos que ter planos, sonhos e metas, todavia, devemos também estar preparados para frustração. Devemos estar preparados pras mudanças que nosso "eu" opta; temos que ser mais sossegados...
Ao mesmo tempo, não quero aconselhar a displicência. Ela não faz bem. Digo isso porque experimentei várias fases nesses meus poucos e imaturos anos e ainda experienciarei muitas, com fé em Deus, se Ele permitir, em que me abandonei por completo. Já fui de extremos, ou 8 ou 80, mas creiam, nenhuma das pontas é satisfatória.
Por tudo isso digo que a sensação que tenho quando somos postos a prova é de autoafirmação. Fazendo valer nosso direito de escolha as vezes escolhemos precipitadamente, ou incautelosamente apenas para mostrar que podemos fazer aquilo; que temos uma opinião; que não somos influenciáveis facilmente. Acabamos expressando naquele ato toda a nossa personalidade seja ela obsessivamente compulsiva pela perfeição ou totalmente desleixada.
Na verdade essa autoafirmação nada mais é do que uma carência despercebida a quão tentamos não dar vazão e acabamos por externar de formas não fidedignas ao que somos. Por isso, quase sempre na posteridade imaginamos aquelas ideias e atitudes como tolas.
Acho que o primeiro passo pra isso é um monólogo intenso com nosso ego. O que estamos fazendo por nossa valorização? Como nos vêmos? Será que nos levamos a sério?
Devagar, a gente vai se orientando e optando por outros rumos que fazem a gente aceitar o valor que tem; que fazem a gente questionar se aquele modo de ser ainda nos é cabível; se precisamos mudar de perspectiva ou até mesmo de verdade pra nos sentirmos plenos.
No entanto, a gente nem sempre alcança a plenitude, principalmente, porque ela se enquadra em áreas. Você pode se sentir completamente realizado em um eixo de sua vida da forma que é, enquanto que em outro, mesmo estando em constantes mudanças você sempre se sente inseguro.
Mas a vida é por aí, é tendo a percepção de que nem tudo se consegue ter do jeito que queremos que as vezes temos um estalido na mente e, Buumm!! Talvez a gente não se sinta satisfeito porque não sabe ainda o que quer.
Presta atenção nesse "ainda". Uma hora a certeza chega viu. As vezes ela é indelicada pois escancara algo que de tão obvio dói, mas a gente se recusava a aceitar. Tudo bem, talvez fosse preciso passar por muitas transformações pra aceitar o que antes era inaceitável.
E assim, me enquadro no grupo dos errantes que lutam todo dia pra achar sua completude. Espero estar amadurecendo enquanto escrevo, por que tudo isso nada mais é do que um burburinho que passa na minha mente e que comunico desse modo. As vezes desordenado, as vezes obsessivo. Só que sempre, sempre, puro e sincero.
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