Querendo ou não a criança tem que voltar pra casa

Complicado é a gente se dar conta que as coisas acabam. O fim ta escrito, dito e bate na porta da gente, mas não aceitamos.
Acho que isso é reminiscência de quando somos crianças e nossas mães gritam de dentro de casa: "fulano, vem pra dentro que ja deu de brincar na rua" e nos, travessos e jurando que somos persuasivos continuamos fazendo nossas estripulias achando que fingindo não ter ouvido, nossas mães também irão desistir de acabar com nossa diversão.
A verdade é que a gente até pode fingir por um tempo que não escuta o fim falando conosco. Porém, como a criança que ignora o apelo da mãe, somos cientes da verdade. Só ignoramos à ela porque não queremos admitir a perca sobre o domínio da situação. Não so isso. Não queremos deixar ir, aquilo que mesmo morno achamos que ainda esquenta. Não queremos permitir que aquele sapato que machuca seja distanciado porque ainda não descolou o solado. Não queremos deixar fechar as feridas que nossa alma apresenta.
O problema disso tudo é que, uma hora o transtorno vem. Tudo que a gente posterga no hoje amanha cobra juros e correção moneária. A dor também é desse jeito.
Quanto mais fingimos não perceber a ferida mais ela cresce, se contamina e infecciona. Ai, quando a gente tentar tratar infelizmente vai ser tarde.
Esse tarde não quer dizer que vai ser intratável, mas, que vai ser bem mais dolorosa e dificil de cicatrizar.
Nossas relações são assim. Podemos escolher sanar as coisas de forma limpa, sem dor e clara ou revogar algo, deixar que a mágoa cresça e encontre abrigo e fingir que ela não nos prejudica.
A gente pode até achar que isso é persistência, força, resiliência. Que decidir optar por aceitar o fim é fraqueza, ou não saber lutar, mas poxa vida, tem ocasião que não dá pra insistir.
Eu sei que quebrar limites é um desafio enorme e enobrecedor, mas eu tenho limites que não desejo romper.
Eles são o símbolo de que eu me respeito, que eu respeito o outro e sei reconhecer quando o fim chega. Acho isso mais justo e mais íntegro. Pra mim é uma demostração incrivel de força aceitá-los, pois eles também causam dor, mas, me garantem que vou saber lidar com ela de forma a sempre aprender uma lição.

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